Postagens

Mostrando postagens de julho, 2010

Peixe Maduro

Edigles Guedes Tarde azul, Mar almo, Anzol desato. E um peixe maduro a debochar: ─ Ei, acorda, pescador barato!… 23-7-2010.

Crediário de Amor

Edigles Guedes Eu vou abrir um crediário de Amor; Vou comprar o Amor em parcela. (Como se Amor fosse possível tê-lo aos goles!) Não dá para abrir um crediário de Amor, Pois Amor não se mede, Não se troca, não se mercadeja Na feira de sábado. O Amor deixa-me isento de mim, Num remoinho de pensamentos Fúteis. Tão fúteis são os meus desvelos De Amor em tormenta de chuva (Remendada na noite calva), Calma como um copo de vidro E sua água potável. O Amor é minério em sua desdita: Hoje, chora, pelos cantos das paredes murchecíveis, Chora tão frágil quanto é frágil O armário inoxidável na cozinha; Amanhã, ri às bandeiras despregadas, Como se a folgança fosse a única linguagem Com que se pudesse comunicar… Mas eu ainda vou abrir um crediário de Amor; Vou comprar o Amor em parcela E guardar no meu peito essa dor e alegria, Que nos fazem felizes e infelizes ao mesmo tempo. (Eu quero do Amor o impossível de tê-lo em conta-gotas!…) 28-3-2010. 22h 03.

Banalidades sem Recife

Edigles Guedes Recife ─ eu estou sedento para ver minha Dublin sem Bloom!… Os dias andam tão desertos de perguntas, Que me espanto com a samambaia de outrora, A qual divulgava nas manhãs seus verdes sem abóboras, Na minha lembrança infantil e introspectiva… Por um breve minuto eu converso abobrinhas Com as nuvens de almôndegas flutuantes, E me perco nas alturas do meu sapato tão roto do pó das ruas. Isso são saudades de ti, Recife, Cidade que não sai da minha cabeça. Novamente, passei o dia escrevendo Aquele romance (tantas vezes reescrito), Que não vingou! Um gato, de astuto, assombrou o portão de casa Com uma queda feia e livre. 21-7-2010.